Espírito Santo PELTES

Após equilibrar as contas públicas e sanear o estado, o governo do Espírito Santo percebeu a necessidade de impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento. Um ciclo que seja marcado pela diversificação das atividades econômicas, propicie novas oportunidades de negócios e promova o crescimento sustentável.

A idéia é potencializar os crescentes investimentos que o estado vem recebendo, sejam eles públicos ou privados. O desafio que se coloca é melhorar e ampliar diversos setores de transporte e promover a integração com as regiões do Brasil e do mundo. Para conquistar novos horizontes e possibilidades, os investimentos passam necessariamente pela infra-estrutura logística, incluindo modais como ferrovias, rodovias, hidrovias e aerovias. Foi nesse contexto que foi lançado, no final de novembro, o Plano Estratégico de Logística e Transportes do Espírito Santo (Peltes). O Plano será conduzido em parceria do governo do estado com o Movimento Empresarial Espírito Santo em Ação.

O ponta-de-lança do plano é o secretário de Transportes e Obras Públicas e vice-governador do estado, Ricardo Ferraço. “O Peltes vai integrar o território capixaba à economia nacional e internacional, fortalecendo a vocação do Espírito Santo de provedor de logística e de serviços”, disse a Rodovias & Vias durante o ato de lançamento do Plano, ocorrido no Palácio Anchieta, na capital capixaba.

Na ocasião, foi assinada ordem de serviço para que o consórcio vencedor da licitação realize os estudos, um amplo e preciso diagnóstico socioeconômico e de infra-estrutura e logística, que vão produzir um roteiro de investimentos públicos e privados, estratégicos para o desenvolvimento do estado. “Queremos, por meio do diálogo com a sociedade, detalhar os grandes conceitos e as grandes diretrizes do Peltes”, destacou Ferraço. O diagnóstico e o plano terão custo de R$ 4,7 milhões, financiados pelo Banco Mundial.

Será elaborado também o Plano Diretor Rodoviário do Espírito Santo (PDR), incluindo o desenvolvimento e a implantação de um Núcleo de Planejamento Rodoviário - na estrutura do Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER-ES) - e de um sistema de instrumentos de planejamento rodoviário, necessários à elaboração de planos diretores. Será um detalhado estudo a respeito das rodovias estaduais.

Visão de longo prazo

Depois de consolidar o planejamento com visão de longo prazo, no Projeto Espírito Santo 2025, o governo estadual enxerga na estratégia da sua logística uma maneira de se tornar referência nacional e provedor de integração continental. A elaboração do plano para os próximos vinte anos demandará 24 meses. A primeira fase, a de elaboração do plano estratégico de logística, será de 12 meses. A segunda fase, a do detalhamento do Plano Diretor Rodoviário (PDR) será de 24 meses. O BID acompanhará todas as etapas.

O plano vai incluir um levantamento de todas as previsões de expansão de atividade econômica e de demandas de logística. O objetivo é estabelecer a estratégia e o período em que os investimentos necessários devem ser feitos. 

O estabelecimento de eixos logísticos vai orientar os novos investimentos, assim como a definição das responsabilidades para as intervenções, seja no setor público ou junto à iniciativa privada.

“Não será um projeto de governo, mas de estado, buscando envolver todos os atores que fazem ou demandam logística”, explica Ricardo Ferraço. 

O comitê diretivo da elaboração do plano terá três representantes do Poder Público e três da iniciativa privada. Trabalhará em sistema de governança pactuada, sob a coordenação geral do vice-governador e secretário de Transportes e Obras Públicas, Ricardo Ferraço.

 

Estado registra crescimento da economia

A economia do Espírito Santo tem obtido um crescimento promissor. A conseqüência disso é que a cada dia surgem novos anúncios de investimentos, não apenas nos setores agrícola e industrial, mas em todos os segmentos produtivos. A determinação do governo tem sido complementada pelo anúncio de significativos investimentos logísticos privados em portos e ferrovias, além de propostas para o modal rodoviário.

O Peltes propõe uma visão holística, permitindo criar uma rede de transporte articulada, definida por meio de intervenções planejadas, capazes de garantir o escoamento rápido de mercadorias e produtos. A antecipação de cenários relativos a atividades econômicas, em conjunto com a demanda por logística, vai possibilitar a elaboração de estratégias de investimentos no setor. 


Diversos Modais

As rodovias são apenas um dos elementos entre os diversos modais que serão estudados. Esse complexo inclui também as ferrovias, os portos, os aeroportos e as cadeias produtoras de bens e serviços.

“Projetar e definir rumos para o futuro é tão importante quanto administrar o presente. É com o planejamento de longo prazo que nos antecipamos aos problemas, e é só por meio dele que seremos capazes de proporcionar um país melhor para as gerações que nos sucederão”, disse o senador capixaba, Gerson Camata (PMDB-ES), elogiando o Peltes da tribuna do Senado. “Num estado como o Espírito Santo, cuja economia está voltada principalmente para o comércio exterior, o planejamento logístico é fundamental para garantir a competitividade. Um sistema de transportes de baixa qualidade gera custos adicionais que podem inviabilizar qualquer estratégia de crescimento sustentado e inibir a atração de novos investimentos”, completou.

A visão do DER


Para o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER-ES), Eduardo Mannato, o Peltes será “uma ferramenta de trabalho fabulosa e um instrumento de planejamento sem igual para alavancar a infra-estrutura do estado”. Mannato esteve presente ao ato de assinatura da ordem de serviço para os estudos do Peltes, ocasião em que também foi assinado o contrato para o Plano Diretor Rodoviário (PDR) do Espírito Santo.

“O PDR vai permitir que nossas potencialidades sejam descobertas, bem como as necessidades para permitir que a produção seja competitiva e chegue a seu local de consumo com mais tranqüilidade”, disse Mannato à Rodovias & Vias. Para ele, a falta de investimentos na infra-estrutura do estado, ao longo dos últimos quinze anos, defasou os processos logísticos. “Agora teremos uma ferramenta que nos permitirá planejar e aplicar o dinheiro público de forma racional e sustentável, inclusive do ponto de vista ambiental”.

Mannato destacou que o DER-ES tem em curso um grande programa na área de ampliação da malha viária, que objetiva fixar o homem no campo ao mesmo tempo em que facilita o transporte da produção agrícola até os pontos de consumo. Também estão em curso os programas de recuperação da malha, conservação e sinalização, além de um diagnóstico de todas as obras de arte especiais.

O diretor-geral do DER disse que o PAC tem potencial para alavancar a infra-estrutura do Espírito Santo e que, somando-se aos investimentos do governo do estado, o futuro da logística capixaba é promissor. “Assim que os diagnósticos estiverem prontos, o DER-ES vai entrar em ação, seja na elaboração de projetos ou na execução de obras para materializar os planos”, afirmou Eduardo Mannato.

Mannato destacou os objetivos maiores do Plano Diretor Rodoviário (PDR), um dos elementos do Plano Estratégico de Logística e Transportes do Espírito Santo (Peltes): “Reabilitar as rodovias, humanizando-as, e levando tranqüilidade aos seus usuários, nunca esquecendo os aspectos de conforto, segurança e economia aos motoristas e passageiros que por elas trafegam”.

Peltes já tem algumas obras definidas

Apesar de recém lançado, ainda na fase de diagnóstico e estudos, o Peltes já tem algumas obras definidas, que integrarão o planejamento. De acordo com o secretário estadual de transportes e obras públicas, Ricardo Ferraço, o governo vai contratar o projeto de engenharia para a estrada do Contorno do Mestre Álvaro, um trecho de 18 quilômetros que vai ligar o Contorno de Vitória à BR-101, na altura do posto da polícia rodoviária federal, próximo à divisa entre Serra e Fundão. O custo estimado desta obra é de R$ 40 milhões. 

O trecho é a primeira parte da Via Norte, a rodovia de 80 quilômetros, que terá ligação com a BR-101 Norte em Linhares, passando por Jacupemba. Quando todo o trecho estiver construído, será a opção paralela a 101, saindo do Contorno de Vitória. Outra obra, como o corredor metropolitano leste-oeste, se encontra em fase inicial de execução. 

Outro benefício é a ligação da BR-262 e da BR-101 à rodovia Darly Santos, que é a via de acesso aos terminais de Peiu e TVV, que integram o complexo do Porto de Vitória. No entroncamento da Darly Santos com a Rodovia Carlos Lindenberg vai ser erguido um viaduto. 

No modal ferroviário, já há outros dois projetos definidos. O primeiro é a variante da Ferrovia Litorânea Sul, que ligará Cariacica a Cachoeiro de Itapemirim, passando pelo Porto de Ubu, em Anchieta. Para o Norte, há o projeto da ligação ferroviária Barra do Riacho, em Aracruz, a Teixeira de Freitas, no Sul da Bahia. Com 315 km de extensão a ferrovia deve ser a opção para o transporte de celulose do sul baiano e do etanol do norte capixaba.


Eliminação de gargalos

Na carteira de investimentos na área de logística, há projetos que objetivam eliminar os gargalos que atrapalham o desenvolvimento do Espírito Santo. Além disso, há projetos que almejam evitar a formação de novos gargalos. 

A ponte de Colatina, a duplicação do Contorno de Vitória e a recuperação das BR-101 e 262, são algumas das obras importantes para o crescimento do estado. São intervenções que eliminarão gargalos, limitantes ao desenvolvimento de várias atividades econômicas e inibidores de novos investimentos. 

Na carteira de projetos previstos para o Espírito Santo no setor logístico, existem os que deverão estar concluídos até 2011, até 2015 e mesmo após 2015. Do total de R$ 12,9 bilhões, cerca de R$ 2,3 bilhões irão para projetos rodoviários. Os projetos portuários vão somar R$ 5,6 bilhões, os de ferrovias, R$ 4,3 bilhões e os aeroviários, R$ 670 milhões. 

O vice-governador do estado, Ricardo Ferraço, afirma que, a rigor, o Peltes já está em andamento: “Estamos  restaurando 600 quilômetros de rodovias estaduais e construindo mais 400 quilômetros. Também estão sendo pensados projetos nos setores ferroviário, aeroviário, marítimo e dutoviário, além de pesquisas de origem e destino que atendam cada cadeia produtiva. Durante a elaboração do Peltes, todos esses projetos serão roteirizados e detalhados”.

O Peltes pretende resgatar a capacidade de se pensar e planejar em longo prazo, que já existiu no Espírito Santo, mas que, segundo Ferraço, foi perdida nas últimas décadas: “Para se ter idéia do que isso representa basta lembrar que o último plano de desenvolvimento do transporte urbano foi concluído em 1989, há 18 anos. Todos os investimentos feitos nesta área, até então, foram em projetos elaborados nesta época”. Para ele, o estado está vivendo o terceiro ciclo de sua economia, com a produção de petróleo e gás, a expansão das grandes plantas industriais e a construção de novas indústrias.


A experiência do engenheiro Eliezer Batista

Uma revelação encheu de motivação o público que lotou o auditório do Palácio Anchieta, em Vitória, durante o lançamento do Plano Estratégico de Logística e Transportes do Espírito Santo (Peltes). “O Espírito Santo tem potencial para abrigar um estaleiro e alavancar a indústria naval do país. E o melhor local para a construção do estaleiro seria o litoral norte do estado”. A avaliação é do consultor Eliezer Batista, convidado para proferir palestra magna na ocasião.

Eliezer Batista é uma das maiores autoridades brasileiras em desenvolvimento estratégico. É engenheiro e já ocupou o cargo de presidente da Companhia Vale do Rio Doce, agora, simplesmente, Vale. Batista falou sobre “Logística e Desenvolvimento”.

De acordo com o consultor, na Islândia há grupos interessados em investir na indústria naval. Ele sugeriu que o estado se mobilize para atrair os investimentos desses grupos, que poderiam instalar no Espírito Santo, além do estaleiro, um pólo de industrialização do pescado do país.

Para o engenheiro, o estado precisa melhorar suas rodovias para suprir as poucas ferrovias. Frisou também a necessidade de melhoria dos portos: “Sepetiba já não tem estrutura suficiente, mas os novos portos de Ubu e Barra do Riacho têm como melhorar a logística do Espírito Santo”.