Especial Rodovia TRANSAMAZÔNICA

A mais famosa e desafiadora rodovia brasileira aproxima-se dos 40 anos de existência, mas ainda está longe de sua maturidade. Marcada por dois ciclos distintos impostos pela natureza - verão e inverno -, a emblemática BR-230 ainda aguarda sua consolidação efetiva no cenário da infraestrutura rodoviária nacional, como protagonista de um papel que lhe foi sonhado no passado, mas ainda penalizada sob um manto de poeira e lama dos trechos de terra.

Segundo informações enviadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) com exclusividade para a Rodovias&Vias, atualmente os esforços de melhoria do trecho transamazônico da BR-230 concentram-se no estado do Pará.

 A extensão total desse trecho é de 1.569,6 km, desde a divisa com o Tocantins, na travessia do rio Araguaia, até Palmares, na divisa com o estado do Amazonas. Segundo o DNIT, são 204,9 km já pavimentados. Em execução, estão as obras de construção da ponte sobre o rio Araguaia, com 900 m de extensão, e a duplicação de 5,9 km na travessia urbana de Marabá, com duplicação sobre o rio Itacaiúnas (450 m). A Transamazônica receberá asfalto em mais 254,69 km, entre as cidades paraenses de Altamira e Marabá. Também está aprovado um projeto, que agora aguarda licitação, para outros 256 km de pavimentação entre Medicilândia e Rurópolis. Somados, os valores de todos os 11 lotes de obras em andamento ultrapassam R$ 1,4 bilhão. 

A BR-230, desde seu extremo leste, no município de Cabedelo, estado da Paraíba, corta sete estados (Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas) até chegar a Lábrea, cidade no coração da Amazônia.

O desafio de cortar a maior floresta equatorial do planeta

A natureza local é um dos maiores obstáculos para a velocidade das obras no trecho em que a rodovia é conhecida como Transamazônica. A região passa por dois ciclos bastante distintos: as secas do verão, que transformam os trechos de terra em corredores de poeira, e as chuvas, que durante seis meses se encarregam de criar os mais cruéis atoleiros em centenas de quilômetros de lama.

E os contrastes não ficam apenas nestes dois extremos climáticos. A continuação para o Nordeste (BR-230), no estado da Paraíba, por exemplo, foi eleita a segunda melhor rodovia da região, segundo o Ministério dos Transportes. A obra foi executada mediante convênio entre o DNIT e o DER-PB. Além da construção de uma nova pista, a antiga foi restaurada. Na duplicação, o governo federal investiu R$ 67,6 milhões, com recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Enquanto isso, em seu outro extremo, na Amazônia, os meses de chuva não trazem apenas o inconveniente da lama e caminhões atolados noite adentro em meio à selva. Tal situação também encarece o frete, prejudicando a competitividade dos preços de produtos da região e mantendo isoladas comunidades e regiões sem acesso à rapidez do transporte rodoviário.

A produtividade das plantações de cacau no Pará é a mais alta do país. No entanto, a distância e a precariedade da estrada tornam o frete caro demais para competir com a produção da Bahia, maior produtor nacional. O empresariado local também reclama que tal situação prejudica duplamente os preços de produtos - são obrigados a pagar mais caro pelo que chega à região e a baixar o preço dos produtos destinados a outras
áreas, por causa da condição rodoviária.

Até mesmo uma simples visita ao médico exige dezenas de quilômetros de viagem pela lama em época de chuva, demandando, muitas vezes, desvios por rios para encurtar o tempo de percurso.

Magnitude

Atualmente, a BR-230 tem, segundo dados de guias rodoviários, 2.656 km asfaltados e 1.577 km de terra, totalizando 4.233 km entre Cabedelo/PB e Lábrea/AM. Fazendo parte dela e planejada pelo governo federal para integrar melhor a região Norte, a Transamazônica foi inaugurada em 30 de agosto de 1972 e, agora, quando completa 40 anos de existência, aguarda pacientemente o florescimento de sua verdadeira vocação de transportar pessoas e produtos em território ainda selvagem, mas sobretudo brasileiro.